melhor vídeo ever
Eu tinha um plano de carregar uma filmadora andando na rua. Quando ouvisse alguma “cantada”, eu filmaria o cara. E perguntaria por que ele fez isso, etc. Esses dias, eu descobri que esse vídeo já existe!
4 comments 24/11/2009
Quando o anti-sexismo pode ser racista e o anti-racismo pode ser sexista
Artigo interessante sobre a questão do véu na França e como o sexismo e o racismo se embaralham:
Como se elaboram as retóricas racistas sobre questões de gênero? Desde o início de 2001, a profusão e justaposição das emissões radiofônicas sobre as comunidades de periferia deixaram claro que a violência contra as mulheres nesses ambientes seria muito mais importante que no resto da sociedade, e que a força dessa violência se explicaria pela cultura dita “árabe” ou “muçulmana” de seus habitantes.
Pelo viés das duas afirmativas, a denúncia de violências se tornou o suporte de alteridade desse grupo minoritário e constitui ponto de apoio privilegiado para edificar uma fronteira do tipo nós/eles que transformou o grupo em “corpo estranho” no seio da nação. Sob o entendimento de que o sexismo seria expressão de um arcaísmo fundamental, enquanto o igualitarismo sexual seria a prova de uma maneira de ser “moderna” e “civilizada”, o sexismo seria o indicador do grau de modernização e civilização dos grupos sociais.
Entretanto, a medida desse sexismo se opera a partir de elementos que impedem a comparação entre o grupo majoritário discriminador e os grupos minoritários “racializados”: o sexismo toma formas ligeiramente diferentes segundo os grupos sociais (a despeito de uma trama comum a todos) e as formas específicas de sexismo dos racialmente discriminados são ainda mais desqualificadas pelo grupo majoritário à medida que este pode operar uma comparação falsa e se prevalecer de não ser sexista.
Christelle Hamel: Da racialização do sexismo ao sexismo identitário
entre imigrantes na França contemporânea. Revista Physis.
Post relacionado: Sarkozy e os imigrantes
Add comment 20/11/2009
Quebrando o jogo
Resposta ao comentário da Haline no meu último post:
Pra mim, o problema está em: exercer a sua sexualidade = usar minissaia (ou terninho, ou enfim). Por que o simples ato de usar uma roupa, ou o simples ato de andar na rua é sexual? Pra mim, esse é o X. E como a gente remove essa dinâmica sexual – que é também de poder de gênero-classe-raça. Eu também acho legal quem vai lá e usa minissaia e não tá nem aí. E quem adora ser chamada de gostosa. E quem, ao contrário, nunca usa roupas justas nem curtas e é feliz. Mas. São manobras dentro do jogo. Como faz pra quebrar o jogo? Eu acho que é assim que a gente sai da discussão “Não gosto de cantadas na rua X Gosto de cantadas na rua” de maneira construtiva. Mas é um ponto delicado, porque a gente acaba caindo no campo da sexualidade. E o Sexo é a Verdade, pra nossa sociedade. Quem questiona o Sexo é chamado rapidamente de moralista e ridicularizado. Eu acho que é por isso que o movimento feminista recebe apoio hora de liberais, hora de conservadores. O feminismo é a luta pela mudança da relação de poder entre os gêneros. Eu não vejo como essa mudança pode acontecer sem uma outra na dinâmica sexual. Sem tirar o sexo de seu pedestal intocável. Sem distanciar completamente sexo de poder.
3 comments 16/11/2009
O jogo da minissaia
Primeiro eu achei interessante o caso da Geisy, porque o discurso dos jornalistas, dos alunos, etc., era de que foi tudo causado por um vestido curto. Se ela tivesse ido de calça jeans, nada disso teria acontecido. Aí aparece gente falando do valor revolucionário da minissaia, curso sobre a história da minissaia com João Braga, protesto de alunos pelados, enfim. A minissaia virou o bode expiatório. E a gente falando da minissaia, ou do microvestido, desvia da questão da discriminação contra putas. Porque a prostituição é legal no Brasil, mas não é regulada. Puta não tem décimo-terceiro, não tem plano de saúde da empresa. Puta tem um lugar bem marcado na sociedade, e se quiser ultrapassar esses limites (por exemplo, fazer faculdade), tem de esconder que é puta. Eu li comentários em blogs internacionais tipo “Mas o Brasil, o país do Carnaval, dos biquínis fio dental, por que isso aconteceu lá?”, é difícil entender como isso acontece em um país onde a sexualidade e a sensualidade estão tão presentes no dia-a-dia. Mas eu vejo a sociedade aqui funcionando num esquema de fetiche. É um grande jogo onde hora eu sou gostosa, hora sou puta. E aí, nesse esquema, eu não vejo muita diferença entre as duas coisas, se as duas palavras são usadas para me descrever quando estou de minissaia. As mesmas pessoas que me elogiam podem me linchar depois. E eu acho que são duas manifestações dessa mesma sexualidade focada do desejo masculino heterossexual, do homem “selvagem” que não pode e não quer controlar seus “instintos” sexuais – e que ao mesmo tempo recompensa mulheres permissivas, submissas, simpáticas. Quantas vezes eu ou amigas minhas já levamos bronca de homens em bares ou baladas, porque não queríamos dar espaço para uma paquera? Nos chamam de zangadas, de mal educadas. É falta de educação recusar um homem, porque você não tá jogando nas regras dessa sociedade fetichista. Eu uso a palavra fetiche no sentido de jogo sexual, mesmo. A Geisy tava jogando o jogo. E, no jogo, se você agrada, você é gostosa. Se você não agrada, se sua sexualidade feminina extrapola os limites, você é puta. E se você é puta, tem de saber o seu lugar: o desfile de Carnaval, a capa da revista Playboy, a margem.
9 comments 13/11/2009
Fat Monica e a tolerância na TV
Eu estava assistindo TV de madrugada e começou um episódio de Friends. Era uma daquelas histórias de flashback, que mostra como cada personagem era “no passado”. Monica, interpretada pela Courteney Cox, era gorda no passado. E não faltaram piadas de comida: ela tinha duas barras de chocolate no bolso sempre, bastava uma rosquinha pra ela se distrair, enfim. No “presente” do seriado, Monica mudou a forma de lidar com a comida, virou chef e se mantém magrinha. Eu acho que Friends acabou em 2004. Foram dez temporadas, portanto dez anos. Eu não sei de qual temporada era esse episódio que eu vi, só sei que Rachel e Phoebe estavam de saias longas, e fiquei tentando lembrar que moda foi essa… Enfim, quando começou a cena com a Monica “gorda” (Courteney Cox usava enchimentos e maquiagem), eu comecei a ficar cada vez mais incomodada com a forma que a personagem era tratada. E lembrei imediatamente da Sookie, do seriado Gilmore Girls, interpretada por Melissa McCarthy. Duas personagens com mais ou menos o mesmo corpo, só que a Monica é bizarra e cômica, e a Sookie é bonita e talentosa. Gilmore Girls estreou em 2000. Impressionante como uma pequena diferença de anos marca uma mudança na tolerância a gordas em seriados de TV.
Eu acho que lembrei da Sookie porque ela também era chef.
Aí fiquei tentando lembrar de um seriado com uma personagem protagonista gorda… Tem Roseanne, que estreou em 1989 e teve nove temporadas. Me corrijam se estiver errada (eu não tenho mais TV em casa), mas parece que hoje em dia, os papéis para atrizes gordas são apenas das amigas, e não das protagonistas. Mas pelo menos as atrizes são gordas mesmo, e não precisam de enchimentos e maquiagens.
Atualização: Como pude esquecer o Drop Dead Diva? Já está na segunda temporada, e é a história de uma modelo magra que morre e volta no corpo de uma advogada gorda. É cheio de clichês: a modelo levava uma vida superficial e, quando reencarna no corpo da advogada, ganha também a inteligência dela, etc. O clássico Cérebro X Beleza.
5 comments 02/11/2009
Roupas curtas e o caso da Uniban
E por falar em roupas curtas. Uma aluna da Uniban de São Bernardo do Campo teve de ser escoltada por policiais para conseguir voltar pra casa, no dia 22. Ela foi ameaçada de estupro por alunos da faculdade, e se trancou numa sala para fugir. No vídeo do link, dá pra ver a comoção que o episódio causou, e os gritos de “Puta! Puta! Puta!” da escola inteira. A lógica dos alunos é: ela estava usando um vestido curto, portanto é puta, portanto merece ser ameaçada de estupro?
Atualização: Comunicado oficial da Uniban.
10 comments 28/10/2009
Vem chegando o Verão…
Na cidade onde eu nasci, não tem essa de verão e inverno. É sempre verão. Mas aqui em São Paulo, eu consigo ficar meses inteiros usando calça e casaco. Eu gosto, mas cansa. Então eu estou feliz em começar a desenterrar minhas roupas de verão. Principalmente as saias, porque eu não consigo usar saia com meia-calça no frio. Não dá, não me esquenta. Daí que eu tava arrumando meu armário, e achei o meu short cáqui super confortável, e lembrei de um lindo sábado de sol, eu andando na Paulista, esperando o ônibus para ir a um museu, e reparei que tinha um cara dentro de um ônibus… me filmando. Bom, pelo menos, o celular estava apontado em minha direção. Mas não tinha certeza. O ônibus saiu e eu fiquei sem entender nada. Uma busca no Youtube tirou minhas dúvidas: o cara tava filmando a minha bunda. Eu nunca achei o meu vídeo, mas fiquei uma tarde inteira denunciando os milhares vídeos de bundas e peitos e etc filmados contra a vontade de suas donas. Precisa falar que não adiantou nada?

Entre um short e uma bermuda, escolhi uma bermuda pra usar hoje. E fiquei olhando, triste, pra minha bermuda de lycra que eu nunca mais usei pra ir à academia, porque ela é um imã de “cantadas”. Eu não sei bem que palavra usar. Porque cantada, paquera, é uma coisa. Mas “mexer” na rua, é outra. Em inglês, é catcall. Eu sei que tem mulher que gosta e que considera um “elogio”. Mas eu não considero, não. E eu não acho que os homens que fazem catcall consideram um elogio, também. E oras, gostando ou não, eu tenho o direito de ir à padaria, à academia, ao trabalho, sem ter de ouvir “gostosa” de um cara que eu não conheço, que não quer me conhecer, e nem ao menos quer fazer as coisas que ele sussurra no meu ouvido, porque só falar já basta pra inflar o seu ego e se impor como homem sobre uma mulher. Eu não to nem aí pras crises existenciais desses homens! E eu não vou agradecer a ele por me lembrar do meu lugar enquanto mulher na nossa sociedade, eu só quero ir à farmácia e voltar pra casa!
Mas eu quero voltar a usar o meu short. E as minhas saias. E a bermuda de lycra. Então eu pergunto, leitoras, como faz? O que vocês fazem pra evitar catcalls? E quando acontece, vocês reagem, ou figem que não ouviram? Vocês gostam? Vocês não se importam? Vocês já arrumaram briga?
9 comments 26/10/2009
Entre Significados
No último post, eu disse que “Eu escolhi o dicionário online Michaelis porque suas definições podem ser conferidas por qualquer um, é só entrar no site. Mas acredito ser fácil encontrar esse padrão em outros dicionários também.” Eu não acho que o dicionário que usei é machista, nem estou aqui falando de censura, etc. Eu estou chamando atenção aos significados que nós damos a essas palavras.
A gente fica falando que gênero é uma construção social, que varia, etc., mas o interessante do livro Manliness and Civilization é que ele vai lá num período da história e isola o momento de criação de um novo significado. Ele exemplifica lindamente a transformação de um conceito de gênero, na virada do século XX nos EUA. É a transição da cultura Vitoriana que valorizava a hombridade, o autocontrole, a nobreza de caráter, para uma outra cultura de classe média que passa a valorizar a virilidade e a masculinidade, a agressividade, a força. A autora define Gênero como um processo histórico e ideológico, dinâmico, contínuo, contraditório, que nós podemos reforçar ou ressignificar.
Neste outro post, sobre o ensaio fotográfico sobre Masculinidade do Chad States, podemos apontar várias ideologias de gênero.
Embaixo de cada foto, tem uma citação dos modelos falando da própria masculinidade. E é aí que a gente vê como a palavra masculino tem um significado diferente, pra cada pessoa. Tem gente que diz que a masculinidade é inata. Tem gente que diz que é uma atitude, uma forma de agir, de se portar. Tem gente que iguala masculino a homem, e a macho. Tem gente que relaciona a competitividade. A roupas masculinas. A se sentir bem em seu próprio corpo. A homens gays. A “cuidar das mulheres”. Engraçado que muitos estão usando terno.

Eu acho o terno um símbolo masculino interessante. Apenas homens usam terno. Ok, existem ternos femininos. Mas são ternos femininos, ou terninhos, não são só ternos. Não são o terno original. O terno original é um símbolo masculino. Eu vejo também como um símbolo de classificação social. E, se for pra escolher entre hombridade, virilidade e masculinidade para associar a um terno, eu acho que escolho hombridade.

Já a máscara de luta-livre (feita com duct-tape?), eu associaria mais a masculinidade ou virilidade. Bederman, no livro, fala bastante do crescimento da popularidade do boxe e das lutas na virada do século XX, nos EUA, porque é justamente um período em que a agressividade passa a ser valorizada e celebrada como uma característica inerente ao sexo masculino.

Podemos concordar que o lar é um símbolo feminino, embora seja esperado hoje em dia que os homens também cuidem da casa e da família? Uma garota-propaganda de produtos de limpeza que não é dona-de-casa (nem empregada ou patroa) mas sim uma mulher com um emprego masculino, uma encanadora, pode ajudar a reconstruir a feminilidade. Porque estamos dizendo que ser feminino (ou efeminado?) pode ser também ser encanador. Mas, pra mim, o anúncio quase faz isso, chega na hora e não faz. Porque coloca a Josephine também de avental de dona-de-casa e reforça conceitos tradicionais da feminilidade. Eu acho que a Josephine é híbrida: é feminina (porque cuida da casa) e masculina (porque trabalha como encanadora) ao mesmo tempo. E não feminina, porque cuida da casa e também porque trabalha como encanadora.
6 comments 18/10/2009
Virilidade, Masculinidade e Hombridade
Oi, voltei.
Eu to lendo esse livro. E já na introdução a autora faz uma distinção entre as palavras manliness, manhood e masculinity. Parte do argumento dela é que, na época que ela estuda (virada para o século XX nos EUA), as palavras manliness e manhood eram usadas muito mais que masculinity, e inclusive tinham significados diferentes. (Hoje, elas podem ser usadas como sinônimos.) Aí fui procurar virilidade, hombridade e masculinidade em dicionários de português, e olha o que achei:
masculinidade
mas.cu.li.ni.da.de
sf (lat masculinitate) 1 Qualidade de masculino ou másculo. 2 Virilidade.masculino
mas.cu.li.no
adj (lat masculinu) 1 Que pertence ou se refere ao sexo do varão ou dos animais machos. 2 Próprio de homem, varonil. 3 Gram Qualificativo do gênero dos nomes que designam entes masculinos ou objetos considerados como tais. 4 Gram Diz-se das palavras ou nomes que, pela terminação e concordância, designam seres masculinos ou que como tais se consideram.virilidade
vi.ri.li.da.de
sf (lat virilitate) 1 Qualidade de viril. 2 A idade viril, isto é, aquela que vai da adolescência à velhice. 3 Vigor, energia.viril1
vi.ril1
adj m+f (lat virile) 1 Relativo ou pertencente ao homem ou varão; másculo, varonil. 2 Próprio de homem. 3 Próprio de um caráter varonil; esforçado, corajoso. 4 Enérgico. 5 Diz-se da idade que vai da adolescência à velhice.varão1
va.rão1
sm (corr de barão) 1 Indivíduo do sexo masculino; homem. 2 Homem adulto que chegou à idade varonil; homem feito. 3 Homem respeitável; homem sábio. 4 Homem corajoso, esforçado, valoroso. 5 fam Homem que não se deixa dominar pela mulher. adj Que é do sexo masculino: Filho varão. fem: varoa e virago.varão2
va.rão2
sm (vara1+ão2) Vara grande de ferro ou de outro metal.hombridade
hom.bri.da.de
sf (cast hombredad) 1 Aspecto varonil. 2 Corporatura. 3 Nobreza de caráter. 4 Grandeza de ânimo. 5 Desejo de ombrear com alguém.
Eu vi que existe uma forma feminina para varão. A definição do dicionário é a seguinte:
virago
vi.ra.go
sf (lat virago) 1 Feminino de varão. 2 Mulher esforçada, destemida. 3 Mulher muito forte e de maneiras varonis; marimacho. sm Cabo, corda.
Parece que virago não é simplesmente uma mulher forte, mas uma mulher com força característica do varão. Uma mulher macho. Só por diversão, resolvi procurar o significado de feminino:
feminino
fe.mi.ni.no
adj (lat femininu) 1 Próprio de mulher ou de fêmea. 2 Relativo ao sexo caracterizado pelo ovário, nos animais e nas plantas. 3 Relativo às mulheres. 4 Gram Qualificativo do gênero que indica os seres fêmeos ou considerados como tais.
Nenhum juízo de valor aí. Vamos tentar efeminado?
efeminado
e.fe.mi.na.do
adj (lat effeminatu) 1 Caracterizado por qualidades mais próprias a mulheres do que a homens. 2 Que tem modos de mulher. 3 Excessivamente delicado; mole. 4 Pusilânime. 5 Voluptuoso.
Interessante que, enquanto viril é algo cheio de energia, efeminado é delicado, desanimado, mole. Além disso, vemos aqui a primeira referência sexual, nessas definições: voluptuoso.
(Pensando bem, a “idade viril, isto é, aquela que vai da adolescência à velhice” pode ser assim definida por ser a idade fértil do homem?)
Podemos fechar essa reflexão com as próprias definições de “homem” e “mulher”. Aconselho aos mais sensíveis e com doenças de coração a pararem de ler agora.
homem
ho.mem
sm (lat homine) 1 Ser humano em geral; o homem é um mamífero bípede, dotado de inteligência e linguagem articulada. 2 Indivíduo da espécie humana. 3 Ser humano do sexo masculino. 4 A humanidade. 5 pop Marido ou amante. 6 Aquele que procede com madureza, que tem experiência do mundo. 7 Aquele que possui em alto grau os distintivos da hombridade: Só ele era homem para enfrentar tal perigo. 8 pop Espécie de jogo de rapazes. 9 Pessoa de quem se trata. Abominável h. das neves: animal supostamente existente nas alturas do Himalaia e comumente tido por um urso. H. às direitas: homem honesto, virtuoso. H.-base, Mil: sargento, cabo ou soldado, pelo qual uma tropa regula a marcha ou alinhamento. H. da capa preta: pessoa difícil de distinguir entre os demais, desconhecida, indeterminada. H. da lei: magistrado, advogado. H. da rua: homem comum. H. das arábias: excêntrico ou ratão; que não se pode tomar a sério. H. das botas: o mesmo que homem de botas. H. de ação: homem ativo, enérgico, empreendedor. H. de antes quebrar que torcer: intransigente em pontos de dignidade; de caráter firme ou íntegro. H. de baixa extração: homem de baixa esfera ou nascimento. H. de bem: homem de reto proceder; honesto, bondoso. H. de botas: homem cuja chegada se anuncia, mas que nunca aparece. H. de conta, peso e medida: excessivamente honesto e meticuloso em suas ações e negócios. H. de cor: indivíduo negro ou mulato. H. de Deus: piedoso, santo. Exclamativamente, significa enfado. H. de duas caras: de atitudes ambíguas, falso, dúplice, sem palavra. H. de estado: estadista. H. de fibra: homem que corajosamente enfrenta adversidades e perigos. H. de leis: jurisconsulto, legista. H. de letras: que se dedica ao estudo da literatura e das ciências. H. de letras gordas: que lê e escreve muito mal; sem ilustração, sem educação. H. de maus bofes: homem de maus fígados. H. de maus fígados: perverso. H. de Neandertal: tipo ou raça de homem do Paleolítico médio (Homo neanderthalensis), reconstituído de restos de esqueletos, encontrados primeiro no vale de Neandertal, na Alemanha Ocidental, e depois em muitos lugares da Europa, Norte da África e Ásia Ocidental. Distinguia-se por uma estatura atarracada, musculosa, antebraços e parte inferior das pernas curtos, crânio extremamente dolicocefálico, projeção extraordinária da região occipital, enormes arcadas superciliares, testa baixa e retrocedente e mento subdesenvolvido. H. de negócios: amante de ganho; negociante. H. de palavra: o que cumpre o que diz ou promete; que não mente. H.-de-palha: indivíduo assalariado que ocupa posição de responsabilidade, apenas na aparência, para encobrir o verdadeiro dirigente; testa-de-ferro. H. de poucas palavras: homem reservado, que fala pouco; desconfiado. H. de pulso: homem robusto, de grande força física; homem enérgico, que sabe se impor. H.-Deus: Jesus Cristo. H. do mundo: freqüentador da alta sociedade, da qual tira os hábitos e maneiras. (…) H. reto: homem honesto e virtuoso, que segue as leis da justiça e eqüidade. H.-sanduíche: que ganha a vida andando pelas ruas com dois cartazes de anúncio, um pendente no peito, outro nas costas. Seja homem: expressão com que se manda alguém reagir, ou suportar com coragem um mal.mulher
mu.lher
sf (lat muliere) 1 Feminino de homem. 2 Esposa. 3 Pessoa adulta do sexo feminino (opõe-se a menina ou rapariga). 4 Mulher da plebe ou das classes inferiores (por oposição a senhora ou dama). 5 Homem efeminado, mulherengo. 6 Certo jogo popular. M. à-toa: prostituta. M. bará: a que se entrega facilmente. M.-dama: o mesmo que meretriz. M. da rótula: marafona. M. da rua: meretriz. M. das onze letras, pop: alcoviteira (porque a palavra alcoviteira tem onze letras). M. da vida: meretriz. M. de armas: o mesmo que virago. M. de casa: a que administra bem uma casa e cuida com economia e previdência da vida e educação da sua família. M. de duas cores, Folc: fantasma que, segundo a crendice popular de Minas Gerais e Norte de São Paulo, atravessa as estradas e caminhos em dias claros. A sua bicoloração varia segundo o informante. M. de ferreiro, gír: cadela. M. de governo: o mesmo que governante; mulher de casa. M. de má nota: prostituta. M. de soldada: mulher que serve outrem por dinheiro. M. de virtude: adivinha, bruxa, feiticeira; mezinheira. M. do fado: meretriz. M. do fandango: meretriz. M. do piolho, Folc: personagem de conto popular que representa a mulher contenciosa e teimosa. M. durázia: mulher que já tem certa idade sem ser velha. M. errada: a desonesta, mal comportada, transviada. M. fatal: o mesmo que vamp. M.-homem: lésbica. Pl: mulheres-homens e mulheres-homem. M. logrativa: mulher galanteadora; a que procura ser agradável. M.-macho: a) mulher que apresenta qualidades e coragem de homem; b) lésbica. Pl: mulheres-machos. M.-objeto: mulher considerada como mera fonte de prazer. Pl: mulheres-objetos e mulheres-objeto. M. perdida: prostituta. M.-pobre, Bot: planta bignoniácea (Jacaranda cuspidifolia). Aum: mulheraça, mulherão, mulherona.
Enquanto a maioria dos exemplos para mulher são carregados de juízos de valor negativo, e muitos significam apenas “prostituta”, os de homem se referem a características humanas universais, que podem ser aplicadas também a mulheres (homem de cor, homem de poucas palavras). Além disso, a “nobreza de caráter” permeia os exemplos dados pelo dicionário (homem de palavra, homem do mundo). Eu escolhi o dicionário online Michaelis porque suas definições podem ser conferidas por qualquer um, é só entrar no site. Mas acredito ser fácil encontrar esse padrão em outros dicionários também.
Continuação: Entre Significados
15 comments 12/10/2009
O discurso da má vontade
Arrematando o assunto das ecobags, eu acho que o ponto central deve ser os três “erres”, Reduzir, Reutilizar, e Reciclar. Porque o tom da discussão a respeito da relevância das ecobags (além de ler a respeito em duas colunas de revistas diferentes, e em um blog, também li em outros lugares, outros blogs e participei de algumas conversas) quase sempre tem passado por uma ansiedade perfeccionista aliada a uma má vontade. Assim: Se eu passar a usar ecobags, mas continuar embalando meu lixo com saco plástico, então nada disso faz sentido e, portanto, o esforço não vale à pena. Ou: Como ecobags são caras [nem todas], e sacos de lixo biodegradáveis são caros [é verdade], nada disso faz sentido e o esforço não vale à pena. Ou: Se eu começar a usar ecobags, mas continuar a comprar o meu doce preferido que é vendido em uma embalagem de isopor, então nada disso faz sentido, etc. etc. etc. Não é preciso se tornar um perfeito ecologista, de uma hora pra outra. Eu nem sei se isso existe, aliás. Sugiro começar por um dos erres e descobrir os seus limites.
E sim, é um esforço. Quando eu comecei a usar sacola de feira para ir ao supermercado, fui barrada na entrada algumas vezes. Duas vezes, pediram que eu lacrasse a sacola, colocando-a dentro de um saco plástico, para que eles tivessem certeza que eu não iria roubar nada do mercado. Tive de explicar, pacientemente, que não ia lacrá-la, já que estava usando a sacola porque não queria usar mais plástico. Mas isso foi anos atrás. Acontece que os supermercados só estão olhando pra essa questão agora, e alguns estão mais adiantados que outros. Portanto, nada impede que nós, consumidores, eduquemos os mercados a respeito do que queremos e esperamos deles.
Eu já conversei com a gerente do mercado que eu vou quase todo dia, a respeito. É o mais perto de casa, portanto se faltou farinha para o bolo, eu passo lá. Se acabou o sabão em pó, eu passo lá. Etc. Mas os caixas tinham uma mania irritante de colocar imediatamente, e mecanicamente, os produtos em sacolas plásticas. Eu sei que é preciso ser rápido, para não formar filas, e eles são treinados para isso. Mas isso criava uma situação muito chata, e mais demorada até, pois eu nem tinha tempo de tirar a ecobag da bolsa, e os produtos já estavam acomodados em sacolas plásticas. Aí eu tinha de transferir os produtos de dentro das plásticas para a minha sacola de tecido. Quando eu conseguia avisar antes, que “Não precisa de sacola, obrigada”, era indagada se “Não precisa mesmo?” “Tem certeza?” “Pelo menos o queijo branco, ele vai sujar a sua bolsa” e eu tinha de responder que “Não mesmo, obrigada, não precisa, tudo bem, pode sujar, que eu lavo”. Parece um aborrecimento pequeno, mas essa situação se repetiu por meses, e já estava me fazendo perder a vontade de ir ao mercado. E eu sabia que não ia mudar, a não ser que alguma coisa fosse feita. Então conversei com a gerente. Hoje em dia, eu tenho sim de avisar -rápido- que vou usar a minha própria sacola, mas não precisei mais tirar produtos de dentro de sacolas de plástico. Além disso, esse mercado agora vende sacos de lixo biodegradáveis, vários tipos de ecobags, e tem um sistema de desconto que incentiva o uso de sacolas retornáveis.
O que eu estou querendo dizer é que: Sim, às vezes pode aparecer alguns aborrecimentos ao usar ecobags, mas é muito fácil contorná-los. Os mercados vão se adaptar a essa nova demanda, e ajuda se os clientes com essa nova expectativa se fizerem visíveis. Da mesma forma, é preciso pressionar para uma melhor organização de aterros de lixo, um maior e mais eficiente alcance dos programas de reciclagem, etc. Se ecobags não são mesmo pra você, ainda é possível pensar em outras formas de Reduzir, Reutilizar e Reciclar.
3 comments 31/08/2009

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