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Quando o anti-sexismo pode ser racista e o anti-racismo pode ser sexista
Artigo interessante sobre a questão do véu na França e como o sexismo e o racismo se embaralham:
Como se elaboram as retóricas racistas sobre questões de gênero? Desde o início de 2001, a profusão e justaposição das emissões radiofônicas sobre as comunidades de periferia deixaram claro que a violência contra as mulheres nesses ambientes seria muito mais importante que no resto da sociedade, e que a força dessa violência se explicaria pela cultura dita “árabe” ou “muçulmana” de seus habitantes.
Pelo viés das duas afirmativas, a denúncia de violências se tornou o suporte de alteridade desse grupo minoritário e constitui ponto de apoio privilegiado para edificar uma fronteira do tipo nós/eles que transformou o grupo em “corpo estranho” no seio da nação. Sob o entendimento de que o sexismo seria expressão de um arcaísmo fundamental, enquanto o igualitarismo sexual seria a prova de uma maneira de ser “moderna” e “civilizada”, o sexismo seria o indicador do grau de modernização e civilização dos grupos sociais.
Entretanto, a medida desse sexismo se opera a partir de elementos que impedem a comparação entre o grupo majoritário discriminador e os grupos minoritários “racializados”: o sexismo toma formas ligeiramente diferentes segundo os grupos sociais (a despeito de uma trama comum a todos) e as formas específicas de sexismo dos racialmente discriminados são ainda mais desqualificadas pelo grupo majoritário à medida que este pode operar uma comparação falsa e se prevalecer de não ser sexista.
Christelle Hamel: Da racialização do sexismo ao sexismo identitário
entre imigrantes na França contemporânea. Revista Physis.
Post relacionado: Sarkozy e os imigrantes
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Vem chegando o Verão…
Na cidade onde eu nasci, não tem essa de verão e inverno. É sempre verão. Mas aqui em São Paulo, eu consigo ficar meses inteiros usando calça e casaco. Eu gosto, mas cansa. Então eu estou feliz em começar a desenterrar minhas roupas de verão. Principalmente as saias, porque eu não consigo usar saia com meia-calça no frio. Não dá, não me esquenta. Daí que eu tava arrumando meu armário, e achei o meu short cáqui super confortável, e lembrei de um lindo sábado de sol, eu andando na Paulista, esperando o ônibus para ir a um museu, e reparei que tinha um cara dentro de um ônibus… me filmando. Bom, pelo menos, o celular estava apontado em minha direção. Mas não tinha certeza. O ônibus saiu e eu fiquei sem entender nada. Uma busca no Youtube tirou minhas dúvidas: o cara tava filmando a minha bunda. Eu nunca achei o meu vídeo, mas fiquei uma tarde inteira denunciando os milhares vídeos de bundas e peitos e etc filmados contra a vontade de suas donas. Precisa falar que não adiantou nada?

Entre um short e uma bermuda, escolhi uma bermuda pra usar hoje. E fiquei olhando, triste, pra minha bermuda de lycra que eu nunca mais usei pra ir à academia, porque ela é um imã de “cantadas”. Eu não sei bem que palavra usar. Porque cantada, paquera, é uma coisa. Mas “mexer” na rua, é outra. Em inglês, é catcall. Eu sei que tem mulher que gosta e que considera um “elogio”. Mas eu não considero, não. E eu não acho que os homens que fazem catcall consideram um elogio, também. E oras, gostando ou não, eu tenho o direito de ir à padaria, à academia, ao trabalho, sem ter de ouvir “gostosa” de um cara que eu não conheço, que não quer me conhecer, e nem ao menos quer fazer as coisas que ele sussurra no meu ouvido, porque só falar já basta pra inflar o seu ego e se impor como homem sobre uma mulher. Eu não to nem aí pras crises existenciais desses homens! E eu não vou agradecer a ele por me lembrar do meu lugar enquanto mulher na nossa sociedade, eu só quero ir à farmácia e voltar pra casa!
Mas eu quero voltar a usar o meu short. E as minhas saias. E a bermuda de lycra. Então eu pergunto, leitoras, como faz? O que vocês fazem pra evitar catcalls? E quando acontece, vocês reagem, ou figem que não ouviram? Vocês gostam? Vocês não se importam? Vocês já arrumaram briga?
9 comments 26/10/2009
O discurso da má vontade
Arrematando o assunto das ecobags, eu acho que o ponto central deve ser os três “erres”, Reduzir, Reutilizar, e Reciclar. Porque o tom da discussão a respeito da relevância das ecobags (além de ler a respeito em duas colunas de revistas diferentes, e em um blog, também li em outros lugares, outros blogs e participei de algumas conversas) quase sempre tem passado por uma ansiedade perfeccionista aliada a uma má vontade. Assim: Se eu passar a usar ecobags, mas continuar embalando meu lixo com saco plástico, então nada disso faz sentido e, portanto, o esforço não vale à pena. Ou: Como ecobags são caras [nem todas], e sacos de lixo biodegradáveis são caros [é verdade], nada disso faz sentido e o esforço não vale à pena. Ou: Se eu começar a usar ecobags, mas continuar a comprar o meu doce preferido que é vendido em uma embalagem de isopor, então nada disso faz sentido, etc. etc. etc. Não é preciso se tornar um perfeito ecologista, de uma hora pra outra. Eu nem sei se isso existe, aliás. Sugiro começar por um dos erres e descobrir os seus limites.
E sim, é um esforço. Quando eu comecei a usar sacola de feira para ir ao supermercado, fui barrada na entrada algumas vezes. Duas vezes, pediram que eu lacrasse a sacola, colocando-a dentro de um saco plástico, para que eles tivessem certeza que eu não iria roubar nada do mercado. Tive de explicar, pacientemente, que não ia lacrá-la, já que estava usando a sacola porque não queria usar mais plástico. Mas isso foi anos atrás. Acontece que os supermercados só estão olhando pra essa questão agora, e alguns estão mais adiantados que outros. Portanto, nada impede que nós, consumidores, eduquemos os mercados a respeito do que queremos e esperamos deles.
Eu já conversei com a gerente do mercado que eu vou quase todo dia, a respeito. É o mais perto de casa, portanto se faltou farinha para o bolo, eu passo lá. Se acabou o sabão em pó, eu passo lá. Etc. Mas os caixas tinham uma mania irritante de colocar imediatamente, e mecanicamente, os produtos em sacolas plásticas. Eu sei que é preciso ser rápido, para não formar filas, e eles são treinados para isso. Mas isso criava uma situação muito chata, e mais demorada até, pois eu nem tinha tempo de tirar a ecobag da bolsa, e os produtos já estavam acomodados em sacolas plásticas. Aí eu tinha de transferir os produtos de dentro das plásticas para a minha sacola de tecido. Quando eu conseguia avisar antes, que “Não precisa de sacola, obrigada”, era indagada se “Não precisa mesmo?” “Tem certeza?” “Pelo menos o queijo branco, ele vai sujar a sua bolsa” e eu tinha de responder que “Não mesmo, obrigada, não precisa, tudo bem, pode sujar, que eu lavo”. Parece um aborrecimento pequeno, mas essa situação se repetiu por meses, e já estava me fazendo perder a vontade de ir ao mercado. E eu sabia que não ia mudar, a não ser que alguma coisa fosse feita. Então conversei com a gerente. Hoje em dia, eu tenho sim de avisar -rápido- que vou usar a minha própria sacola, mas não precisei mais tirar produtos de dentro de sacolas de plástico. Além disso, esse mercado agora vende sacos de lixo biodegradáveis, vários tipos de ecobags, e tem um sistema de desconto que incentiva o uso de sacolas retornáveis.
O que eu estou querendo dizer é que: Sim, às vezes pode aparecer alguns aborrecimentos ao usar ecobags, mas é muito fácil contorná-los. Os mercados vão se adaptar a essa nova demanda, e ajuda se os clientes com essa nova expectativa se fizerem visíveis. Da mesma forma, é preciso pressionar para uma melhor organização de aterros de lixo, um maior e mais eficiente alcance dos programas de reciclagem, etc. Se ecobags não são mesmo pra você, ainda é possível pensar em outras formas de Reduzir, Reutilizar e Reciclar.
3 comments 31/08/2009
Como usar ecobags
Em uma semana, li em duas colunas de revistas diferentes, e em um blog, dúvidas a respeito da relevância das ecobags. Eu acho que isso tá acontecendo porque agora elas estão “na moda”. Então eu vou explicar aqui como eu uso. Não são regras nem nada, é só a forma que eu encontrei de usar, e você pode descobrir a sua.
Primeiro, tenho de explicar que eu moro sozinha. Portanto, a quantidade de lixo produzida no meu apartamento é bem pequena. É, inclusive, menor que a quantidade de sacolas de plástico de mercados, padarias, farmácias e lojas em geral que eu juntaria, se eu não usasse ecobags. Eu sei disso porque eu já cheguei numa situação em que os meus armários da cozinha estavam lotados de sacolas de plástico. Eu usava as sacolas para embalar o lixo, mas isso não era suficiente para manter um fluxo equilibrado. Porque em qualquer lugar que eu vou, aqui em SP, eu ganho uma. Mesmo se for pra carregar uma caixinha de remédio pra dor de cabeça. Ou maçãs da Turma da Mônica que já vêm dentro de um saquinho com alça. E se você tenta economizar nas sacolas do mercado, e pede pra colocar tudo em uma só, o que os caixas fazem? Colocam a sacola cheia dentro de outra, “pra reforçar”. Então eu passei a levar uma sacola de feira toda vez que ia ao mercado, e a recusar quando fazia compras pequenas na farmácia e na padaria. Enquanto isso, fui usando as sacolas que já estavam no meu apartamento para embalar lixo, até que um dia, tcharam! Elas acabaram. Hoje, o meu apartamento ainda tem uma ou outra sacola plástica que aparece quando amigos vêm me visitar. Ou quando eu me esqueço de levar a minha ecobag pra algum lugar.
E o que eu faço com o lixo, agora? Bom, depois que eliminei as sacolas de plástico, tive de comprar sacos de lixo. Eu compro os biodegradáveis. Sim, são bem mais caros. Mas, como a quantidade de lixo produzida aqui é pequena, um pacote dura bastante. E, se mais pessoas passarem a comprar biodegradável, mais demanda vai diversificar a oferta, e eles vão ficar mais baratos. Eu sei de um supermercado na Vila Madalena que usa sacola de plástico biodegradável, então essa pode ser uma alternativa. O problema é que eu tenho lido por aí que os plásticos biodegradáveis não se decompoem 100%, na verdade. Uma boa alternativa é usar sacolas de papel e folhas de jornal para embalar lixo seco, lixo de banheiro, e cocô de gato e cachorro.
Eu tenho uma sacola de tecido com tamanho perfeito para compras menores tipo pão, leite, ovos. Essa eu deixo dobradinha dentro da bolsa que eu vou usar no dia. Aí, eu tenho uma maior, de palha, que comprei por 15 reais no Mercado Municipal. Já estou falando onde eu comprei, porque sempre me perguntam. Eu uso para compras maiores. E para compras bem maiores mesmo, tipo aquela compra “do mês”, eu uso, além dessa, uma sacola de feira dessas coloridas de plástico. (Que eu comprei por 10 reais numa feira.) Essas maiores não precisam ficar dobradas na bolsa, portanto escolhi materiais mais encorpados. E se cair iogurte no caminho pra casa, é só limpar com um pano. Aliás, eu tenho de avisar uma coisa: uma hora, vai cair iogurte na sua ecobag. Ou suco, ou o que for. Eu jogo a minha sacola de tecido na máquina de lavar junto com a roupa suja. E ajuda que ela é de algodão cru, e não um tecido super bonitinho e estampado e que vai desbotar com tantas lavagens.
Bom, eu não costumo fazer compras grandonas, porque eu acho mais barato ir comprando conforme a minha necessidade. Além disso, legumes e verduras eu encomendo a cada 15 dias de uma dessas empresas de orgânicos. Então é claro que, conforme as suas necessidades, o tipo e o número de ecobags variam. Se você pesquisar, vai achar vários modelos por aí. Você pode, inclusive, fazer a sua. Eu quero arrumar mais uma sacola de compra pequena, pra quando a oficial estiver lavando. Mas o meu objetivo, agora, é me livrar das sacolas de papel de lojas de roupas, que estão tomando conta dos armários da minha despensa. Algumas são super bonitas, mas não precisa entregar uma camiseta enrolada em papel de seda, dentro de uma caixa de papelão, dentro de uma sacola de 70cm de largura, né? Eu tenho uma bolsa grande de lona de algodão que uso em cursos de moda, quando a gente tem de carregar tecidos, réguas grandes, etc. Decidi que vou usá-la na próxima vez que sair pra compras roupas, livros, presentes, etc. Esse tipo de ecobag, ou shopping bag, tinha na exposição organizada pela Lilian Pacce, em 2007, que acabou de virar livro. Pelo que eu lembro, algumas bolsas eram feitas de materiais mais nobres e mais difíceis de limpar, tipo couro.
Na dúvida, lembre-se dos três Rs do consumo sustentável: Reduzir, Reutilizar, Reciclar. Eu comecei reduzindo as sacolas de plástico, e agora estou reutilizando as minhas ecobags. Outro exemplo: se a sua casa (como a minha) produz pouco lixo, tente criar o hábito de usar os sacos plásticos em sua capacidade máxima. Não leve um saquinho meio vazio pra fora só porque tá na hora de jogar o lixo, sabe? Nem sempre a gente pode praticar os três “erres”. Mas começar por um já é ótimo.
5 comments 28/08/2009
Astrocats
Eu estou sem tempo pra escrever um post. Acho que o próximo vai ser uma continuação sobre “masculinidade”, semana que vem. Enquanto isso, fiquem com essas fotos adoráveis que eu juntei. Eu dedico esse post pra Lola, que disse que não consegue nem imaginar como seria um gato astronauta. Ora, é só dar uma procurada no Google Images!

Não me perguntem de onde surgiu a idéia de um “astrocat”. Eu também não sei. Eu sei que é muito engraçado. Agora, se você quer saber como é a Astrocat deste blog… Eu até tentei tirar uma foto, mas ela ficava escondendo o rosto com as patas! E o mistério continua.
Astrocat says: No flash plz
9 comments 20/08/2009
Astro Tweet
Este post é pra avisar que eu fiz um Twitter. O endereço é http://twitter.com/astro_cat, e se você também tem uma conta lá, por favor follow me que eu vou adorar conhecer os meus leitores. Se você prefere acompanhar pelo seu leitor de feed (eu leio tudo no Reader) o endereço é este. Mas se você entra no blog regularmente, vai ver que os cinco últimos tweets ficam na coluna da direita aqui. Eu to usando mais pra colocar links interessantes. A maioria tem ligação com posts que eu escrevi aqui no blog, ou posts que ainda estou formulando. Tá sendo proveitoso, porque como eu só consigo escrever uns dois posts por semana, no Twitter é tudo mais rápido, então dá pra atualizar todo dia mesmo!
2 comments 06/08/2009
Alfaiataria e o dilema da semana
Fiquei uma semana toda pensando nesse curso que eu estou fazendo. É de costura para alfaiataria. Passa-se no ateliê de um alfaiate, que ensina costura e modelagem enquanto faz as peças dos clientes dele. É interessante ver esse trabalho. E como tanta gente escolhe tecidos sintéticos! Quero dizer, se você encomendou um terno no alfaiate, por que não escolher um tecido de, sei lá, lã com seda, que vai super durar e vai ser super confortável? Mas a verdade é que a maioria dos clientes dele, advogados, vê o terno como um uniforme. Um uniforme bem caro, mas ainda assim. Então eles não estão procurando um uniforme excelente. Eles querem o mais barato, dentro do possível. É por isso que a gente vê tanto terno com brilho sintético na Paulista. E, se o próprio alfaiate não conseguir orientar o cliente nesse sentido, ninguém vai.
Engraçado que o alfaiate usa um livro de 1950. Esgotado na editora. Em espanhol. E ele mesmo não parece entender espanhol. Mas é o livro de referência dele. Fiquei pensando se é porque não existem mais livros bons de alfaiataria. Eu tenho um livro brasileiro, razoável, e outro americano, muito bom. Aí eu me toquei. Que ele não quer se atualizar, mesmo. Pra ele, isso não é importante. Porque a alfaiataria é uma “arte antiga”. Essa aura de mistério, de alta costura, agrega valor ao trabalho dele. Sem isso, sem as tesouras que ele herdou do avô, sem as técnicas que ele usa como se fossem rituais, ele seria “apenas um costureiro”. Quando eu perguntei, Por que você usa uma tesoura pra desfazer costuras, em vez de um descosturador? Ele respondeu, Porque é assim que os grandes alfaiates fazem. Então não interessa se um descosturador é mais leve, mais barato, mais rápido, mais prático. Não há uma reflexão sobre o que é feito. Não há raciocínio. Ele só reproduz as regras do livro de 1950.
E é por isso que ele é um mau professor. Se ele próprio não entende o que faz, o aluno não vai aprender mesmo. Fica um sistema de decoreba. Ele dá a fórmula (use a tesoura tal), o aluno decora. E é isso. Mas eu acho que ele adora dar aulas. Porque ele se sente superior. Ele trata os alunos mal. Zomba se alguém erra alguma coisa. Eu ouvi uma aluna dizer “sim, senhor”, várias vezes. Engraçado que são todos adultos. Na última quinta, eu me vi numa péssima posição. Eu não tinha feito um exercício como ele queria. E ele começou dizendo que eu não vou a lugar nenhum porque eu não me esforço, depois passou zombar de mim, a fazer piadinhas. Do meu lado, a aluna submissa. Se eu fizesse como ela, dissesse “sim, senhor”, tudo correria bem. Mas eu resolvi questioná-lo. Primeiro que eu exijo respeito. Como nós o respeitamos, ele deve nos respeitar, etc. Depois disse a ele que esse método de acuar o aluno não resolve nada, só faz bem pro ego dele. Ele não gostou, é claro. Discutimos por um tempo. Depois terminei os exercícios da aula. E desde esse dia, fiquei pensando se volto para a próxima. É uma vez por semana, e a próxima aula é hoje. Aí que, esta semana, aconteceu uma coisa.

Essa cadeira é a que eu usava pra máquina de costura, aqui em casa. E pro computador também, aliás. Neste momento, estou sentada em uma cadeira de praia. Já encomendei uma cadeira nova, ergonômica, mas ainda não chegou. Aliás, eu deveria ter comprado uma cadeira ergonômica há um tempão. Aprendam essa fórmula: cadeira de jantar + máquina de costura = dor nas costas. Enfim. Com essa confusão, não deu pra terminar os exercícios que devem ser entregues na aula de hoje. E só de imaginar outra cena, igual à aula passada, já me dá sono. Então eu decidi. E o cara perdeu uma aluna. Algo me diz que ele não tá muito preocupado com isso. Afinal, eu acho que era assim que os professores se comportavam em 1950.
Mas eu ainda quero aprender alfaiataria. E exemplos de inovação dentro de um ramo tão tradicional, como o trabalho da estudante londrina Kate Rawlinson, só me dão mais vontade. O chato é que eu li que ela não tá gostando nada do curso que ela faz, na London College of Fashion.

Mais no Flickr dela.
3 comments 23/07/2009
Sarkozy e os imigrantes
Quando o Sarkozy falou que estava pensando em proibir o uso de burca na França, eu não vi um discurso feminista. Ele disse que a burca é uma opressão pras mulheres, sim. Mas. De que adianta proibir na França? Não estamos falando de uma proibição da burca no Afeganistão. Estamos falando de uma proibição que afeta guetos de imigrantes muçulmanos na França, e só. Ah, e afeta também os franceses. Porque aí eles não têm de ver esse símbolo de opressão. Mesmo que ela ocorra, todo dia, nas casas muçulmanas (isso eles nunca vão ver mesmo). Mas bane-se a burca, o grande símbolo da opressão das mulheres muçulmanas, e tá tudo certo. Eu vejo, nesse discurso do Sarkozy, uma preguiça de interagir com esses imigrantes. De conversar, integrar. De, sei lá, criar projetos para dar aulas de francês e aulas profissionalizantes pra essas mulheres.
Uma peça de roupa tem significados diferentes pra cada pessoa que a vê, e inclusive pra quem usa. Eu me lembro de assistir uma palestra da Carol Garcia, que viajou ao Afeganistão à trabalho há uns anos, e teve de usar burca. Ela disse que foi a roupa mais confortável que ela já vestiu na vida. Claro que é fácil, pra uma Ocidental, falar isso. Depois de uns dias, ela foi embora e não precisou nunca mais usar uma. Mas a questão é que, se a burca é símbolo de opressão feminina, ela pode um dia deixar de ser. Como o vestido branco de noiva deixou de significar virgindade, etc. Eu falo disso, mas não tenho certeza de que é possível, nesse caso. Porque tem a questão do rosto, que é completamente coberto, e isso tem simbologia muito forte, porque é um anulador de identidade mesmo.
Uma vez eu estava andando na Av. Paulista, supostamente na região mais tolerante do Brasil. Estava chovendo, então enrolei no cabelo o lenço que estava no meu pescoço. Ficou parecendo um hijab, mas eu não tinha percebido isso porque não tinha nenhum espelho por perto. Entrei numa livraria grande, e percebi que os olhos todos se viraram pra mim. Dois homens vieram me perguntar se eu era “árabe”. Na primeira vez, achei engraçado, e não dei importância. Na segunda, resolvi tirar o lenço. Até porque o cara começou a me seguir. Então. A gente esquece que a condição de imigrante, de diferente, é meio chata às vezes. Eu entendo que algumas muçulmanas podem simplesmente desistir de sair de casa, se o que elas têm de enfrentar na rua é um estranhamento obsessivo e condescendente. E podem preferir rejeitar completamente os valores ocidentais, já que os seus valores são rejeitados pelo Ocidente.
O governo da França vai criar uma comissão para estudar o uso de burca no país, e descobrir se as muçulmanas são “realmente forçadas” a usar a burca, ou se é por “escolha”. Não vamos ser ingênuos, não é escolha completamente livre de influências da família, dos vizinhos, da religião, e até da condição de imigrante. Então vai valer a interpretação dos membros da comissão. O legal é que essa discussão sobre o Sarkozy acabou caindo em como as roupas ocidentais também refletem o nosso sexismo. Eu acho difícil considerar uma peça de roupa, por si só, uma forma de opressão. Mas as roupas refletem, sim, a sociedade.
*Sobre as fotos: Na primeira, são burcas à venda; na segunda, modelo desfila hijab; na terceira, formanda usa um niqab.
*Pra saber mais sobre as mulheres no Afeganistão: RAWA
*Um post muito bom sobre como pintar as unhas e mostrar o cabelo é uma forma de protesto, no Irã.
*O post da Cynthia Semíramis que me ajudou a organizar os pensamentos pra escrever o meu ponto de vista.
7 comments 05/07/2009
Feliz dia dos namorados!
7ª Caminhada Lésbica
13 de Junho, a partir das 13h
Avenida Paulista (concentração em frente à Praça Oswaldo Cruz)
13ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo
14 de Junho, a partir das 12h
Avenida Paulista (concentração em frente ao MASP)
Add comment 12/06/2009
Primeiro
Então este é o primeiro post. Não sei ainda sobre o quê este blog vai ser. Me dei 6 meses. Se eu enjoar do blog nesses 6 meses, eu posso deletar. Depois, vai ser mais complicado.
Add comment 21/05/2009









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