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Fat Monica e a tolerância na TV

Eu estava assistindo TV de madrugada e começou um episódio de Friends. Era uma daquelas histórias de flashback, que mostra como cada personagem era “no passado”. Monica, interpretada pela Courteney Cox, era gorda no passado. E não faltaram piadas de comida: ela tinha duas barras de chocolate no bolso sempre, bastava uma rosquinha pra ela se distrair, enfim. No “presente” do seriado, Monica mudou a forma de lidar com a comida, virou chef e se mantém magrinha. Eu acho que Friends acabou em 2004. Foram dez temporadas, portanto dez anos. Eu não sei de qual temporada era esse episódio que eu vi, só sei que Rachel e Phoebe estavam de saias longas, e fiquei tentando lembrar que moda foi essa… Enfim, quando começou a cena com a Monica “gorda” (Courteney Cox usava enchimentos e maquiagem), eu comecei a ficar cada vez mais incomodada com a forma que a personagem era tratada. E lembrei imediatamente da Sookie, do seriado Gilmore Girls, interpretada por Melissa McCarthy. Duas personagens com mais ou menos o mesmo corpo, só que a Monica é bizarra e cômica, e a Sookie é bonita e talentosa. Gilmore Girls estreou em 2000. Impressionante como uma pequena diferença de anos marca uma mudança na tolerância a gordas em seriados de TV.

Eu acho que lembrei da Sookie porque ela também era chef.

Aí fiquei tentando lembrar de um seriado com uma personagem protagonista gorda…  Tem Roseanne, que estreou em 1989 e teve nove temporadas. Me corrijam se estiver errada (eu não tenho mais TV em casa), mas parece que hoje em dia, os papéis para atrizes gordas são apenas das amigas, e não das protagonistas. Mas pelo menos as atrizes são gordas mesmo, e não precisam de enchimentos e maquiagens.

Atualização: Como pude esquecer o Drop Dead Diva? Já está na segunda temporada, e é a história de uma modelo magra que morre e volta no corpo de uma advogada gorda. É cheio de clichês: a modelo levava uma vida superficial e, quando reencarna no corpo da advogada, ganha também a inteligência dela, etc.  O clássico Cérebro X Beleza.

5 comments 02/11/2009

Quando a moda não precisa ser “sexy”

A atriz Mayim Bialik, que fez a série Blossom nos anos 80, participou de um episódio de Esquadrão da Moda/What Not To Wear, um reality show americano apresentado por dois stylists que fazem uma transformação no guarda-roupa de uma pessoa em cada episódio. Depois de participar, ela escreveu esse artigo para o site judeu Tablet. Mayim é judia, e de uns anos pra cá vem abraçando regras de vestimenta e conduta tzniut. Ela prefere saias com comprimento abaixo do joelho, blusas com mangas abaixo do cotovelo, usa lenços e chapéus para cobrir os cabelos de vez em quando, e não gosta de calças. Mayim também é vegan, portanto não usa sapatos de couro. Ah, e como estava amamentando na época, deu preferência a blusas e vestidos fáceis de levantar/abrir/esticar. Com tantas restrições, fiquei curiosa pra ver o trabalho dos stylists Stacy e Clinton.

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Eu não consegui ver o programa, porque o canal que exibe a série no Brasil ainda está na quarta temporada! (O episódio abriu a oitava.) Mas dá pra ver as fotos de antes e depois no site da TLC. Ela diz estar feliz com a roupas novas em tamanho apropriado para seu corpo (as roupas de antes quase sempre eram de um número maior), sapatos vegan, acessórios e maquiagem nova. Só reclamou que os editores cortaram os momentos em que ela explicou suas restrições. Mayim disse que foi meio trabalhoso convencer aos produtores do programa que ela não usaria nenhuma calça, mas o mais difícil foi fazê-los entender que ela não queria ser sexy e que não estava se escondendo nas roupas. Quando fala de tzniut, Mayim parece estar curtindo essa filosofia, que ela escolheu e está incorporando aos poucos. Portanto, não é que ela se esconde nas roupas – poderia-se dizer inclusive que ela está se mostrando mais, manifestando seu lado de estudiosa da religião judaica. (Mayim é graduada em Hebraico e Estudos Judaicos, e Ph.D. em Neurociências!) Então, né? Podiam ter tido mais tato. Não faz sentido insistir na tecla do “sexy”, nessa situação.

No mais, descobri um monte de coisa interessante sobre a Mayim, e to sofrendo de girl crush. Ela é: tzniut, vegan, feminista, PhD em Neurociências, bem-humorada, adepta de parto natural na água, faz a própria granola e os produtos de limpeza que usa em casa. É muita esquisitice em uma pessoa só! Tomara que ela aproveite bem essa aparição no Esquadrão da Moda e consiga mais trabalhos como atriz.

Mais (tudo em inglês): Uma reflexão sobre a obrigação de ser sexy no Esquadrão da Moda/What Not To Wear, uma entrevista com Mayim sobre a participação no programa, e uma entrevista com Mayim sobre a forma alternativa com que ela cria os seus filhos.

3 comments 04/08/2009

Mad Women

A terceira temporada de Mad Men vai começar dia 16 de Agosto. E eu estou esperando ansiosamente. Ontem, fiquei umas duas horas fazendo avatares no site deles. O que eu acho legal nesse seriado é que as personagens mulheres são tão importantes quanto os homens. Elas são escritas com a mesma profundidade. Não são só “interesse amoroso do ator principal” ou “mãe e esposa” ou “advogada/empresária/etc. com dificuldade nas relações com homens”, etc. Elas têm facetas, são contraditórias, elas crescem, mudam de opinião, voltam à opinião anterior, e a gente vê esse processo, de pensar. As atitudes e decisões delas não são apenas baseadas na personalidade que elas têm. A gente vê que elas pensam, refletem, ponderam. Acho isso interessantíssimo.

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E eu adoro o figurino, também. Que não é mesmo estritamente fiel à época, mas nenhum figurino é. O processo de elaboração de figurino incorpora, sempre, a criatividade. E o legal é que ele tem tudo a ver com a época que a gente tá passando, na moda feminina, que vem de uma rejeição à figura jovem e andrógina dos anos 70 e uma valorização da mulher madura. Em uma entrevista ao Style, o estilista Michael Kors disse:

Style: Uma coisa fascinante a respeito do figurino de Mad Men é como todo mundo parece tão adulto. Todos personagens mais jovens se vestem para parecer mais velhos: ninguém quer ser o crianção.

Michael Kors: Não estamos prontos pra isso, novamente? Para um pouco de maturidade? Vou te dizer, eu estou cansado de cabelão comprido e cinturas baixíssimas. É tão óbvio. Pra coleção de inverno, eu estava mesmo tentando trazer de volta o sexy coberto – como Grace Kelly. Tão cool, tão equilibrada. Ela nunca mostra nada, mas você não consegue tirar os olhos dela. Quero dizer, assista “Janela Indiscreta”. Isso é sexy inteligente; Isso é sexy interessante.

Por falar em Michel Kors, Project Runway estréia em 20 de Agosto. Eu vou assistir, mas estou com dois pés atrás, porque a última temporada foi muito ruim, em comparação com as cinco divertidíssimas temporadas anteriores. E o programa foi vendido pra Lifetime, emissora “para mulheres” que se apóia nos clichês do “feminino”.

Pra relembrar enquanto a nova temporada não estréia: 15 Feminist Moments From Mad Men

4 comments 28/07/2009


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